Queime meus olhos para eu não ver este tempo
Filhos mortos derrubaram o rei
Agora a cidade segue o anoitecer
Minhas palavras não servem para o altar de ilusões.
Novas drogas estão na roda
O ontem nasce com as mesmas putas
As velhas camisetas que eu rasguei
Servem de bandeira às idéias corruptas
Consumam
Consumam a minha miséria
No banquete de hipócritas
E que a raiva e o rancor
Sirvam de lembrança
Para todos aqueles que sonham de olhos abertos.
Eu voltarei para cortar essas cabeças
Que exibem doces sorrisos de vitória.
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Não consigo respirar.
Quanto tempo estive ausente?
Meus olhos no espelho choram
Palavras presas em gemidos
Ecoam pelo quarto
Minha cabeça arde
Numa febre sem suor
Quanto tempo?
Por todo o tempo estive ausente!
Sangue!
Corto minha língua
Numa estranha mudez
O silêncio tortura
Rasga meus ouvidos com a espera
Preciso conversar com alguém
Preciso encontrar uma sombra
que não seja a minha
nem a tua a gargalhar da minha vida
Onde está meu passado?
O passado em pedaços se perdeu!
Desespero!
Bato com as mãos sobre a cama
Tento acordar deste sono tão claro
Nenhuma imagem oferece paz
À turva revolta, com clamor eu anseio a volta.
Estou fraco demais
Para acordar com fé
Quanto tempo estive ausente?
Na ausência da vida, só existe uma covarde esperança!
Morte!
Sinto a fome como última saída
A comida está apodrecendo embaixo da porta
A poeira cobre as palavras
Navego isolado em ilusões
O tempo de ausência
Na carne, enfim chegou.
Nunca mais irei encontrar-me.
Onde estou?
Na memória... Sempre presente na memória!
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As paredes estão claras, mudas e cegas deixam tudo desaparecer. Não consigo adormecer porque meus olhos vigiam as sombras. Todas as fantasias de criança voltam a me assustar. Parece não ter fim o pesadelo. Quando eu vou acordar? Lá fora os bravos seguem andarilhos e eu aqui perdido. O tempo todo esperando por uma promessa que jamais foi atendida. Quem irá trazer minha filha, minha amada e minha força de volta? As memórias castigam a pele e eu uso panos para cobrir o sangue. Tenho picadas que nem as tatuagens do passado podem disfarçar.
Derreta agora na água todos os meus sonhos, preciso deles novamente em cores para que no último sonho eu possa acordar. Bata na porta e chame pelo eu, aquele estranho parecido comigo que andei esquecendo no passado. Tornei-me um resto do nada, um relato entre amigos que saúdam a saudade e, temem com medo, chorar novamente por aquele que se esqueceu de si mesmo.
Contei todas as histórias e mesmo assim eu fui taxado como um idiota.
.inquietude.
3 dias atrás

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